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08 agosto 2020

Rotura meniscal: o novo paradigma do tratamento

Os meniscos localizam-se no interior da articulação do joelho. Com uma forma de “C”, fazem a ponte entre o fémur e a tíbia e desempenham funções de grande importância para a proteção do joelho, tais como:

  • Aumentar a congruência e estabilidade articular;
  • Amortecer a carga transmitida ao longo do membro, suavizando os efeitos desses impactos na lesão da cartilagem;
  • Atuar como sensores para o sistema nervoso central informando acerca da posição da articulação.

Devido à sua localização, função e ao tipo de stress a que são sujeitos, são uma das estruturas do joelho sujeitas a mais lesões.

Embora os praticantes de atividades desportivas de contacto representem um grupo de maior risco de lesão, esta lesão pode ocorrer em qualquer pessoa, independentemente da idade ou atividade, tendo como origem mais comum os movimentos de rotação, mudança de direção, receção ao solo ou agachamento.

Os sintomas da lesão meniscal surgem habitualmente no momento da lesão e caracterizam- se, entre outos, por dor, aumento do volume e limitação da mobilidade articular, que pode até ser total (bloqueio articular).

A avaliação clínica e o estudo por ressonância magnética são fundamentais para o diagnóstico e tomada de decisão, que poderá ser cirúrgica ou conservadora (não cirúrgica).

O tratamento não cirúrgico está reservado para doentes sem queixas e/ou com pouca atividade física.

A perda do menisco e das suas funções deve ser encarada como uma condição “pré-artrose” devido à privação do efeito de proteção do menisco. Da análise de casos tratados “agressivamente” há vários anos verifica-se uma progressão acelerada para artrose grave.

Negligenciar uma lesão meniscal sintomática irá agravar a rotura existente e provocar um desgaste mais precoce da cartilagem, designada artrose.

A opção ideal seria tratar a lesão meniscal sem comprometer o futuro do joelho, e é neste contexto que surgem técnicas cirúrgicas que visam preservar o menisco e a sua função, que infelizmente não são aplicáveis de forma transversal, uma vez que nem todas as lesões são passíveis de reparação.

As técnicas de reparação meniscal consistem na sutura, reinserção e/ou transplante meniscal. A técnica cirúrgica deverá ser adaptada às particularidades do binómio doente-rotura meniscal, considerando sempre vários fatores, como o potencial biológico do doente, o tipo e a zona de rotura meniscal.

Tratam-se de procedimentos muito rigorosos do ponto de vista técnico, realizados por via artroscópica, exigindo um cirurgião que reconheça a importância do menisco, diferenciado tecnicamente e com experiência em preservação meniscal.

É, portanto, fundamental, para maximizar o sucesso do tratamento, dominar as várias técnicas de reparação meniscal e ter ao dispor as tecnologias mais modernas, tanto em dispositivos médicos como em meios de estimulação biológica juntamente com um processo de reabilitação física adequado.

O objetivo final será sempre garantir o sucesso no imediato, assegurando uma proteção articular para o futuro.

Redigido por Dr. Tiago Frada (OM46913), Ortopedista especializado em Joelho no Trofa Saúde Barcelos, Braga Sul e Braga Norte

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